domingo, 27 de maio de 2018

A "Cathedral" de Macau (1857)

A velha cathedral de Macau, que existia no mesmo logar da nova que representa a estampa, era construída de taipa (terra com cal humedecida e batida), como a maior parte dos antigos edifícios da cidade. Os estragos do tempo, e os furiosos vendavaes ou tufões que de vez em quando assolam aquellas paragens, a reduziram a tal estado de ruinas, que o cabido pelos annos 1835 ou 1836, achando-se a sé vaga, resolveu cessar a celebração dos officios divinos n´aquella egreja, e com auctorisação do governo, passou a servir de cathedral a egreja do convento de S. Domingos. 
Este templo, posto tivesse melhores condições, por ser mais moderno, vasto, e construído de tijolo, estava mal situado para aquellas funcções, por causa da proximidade do basar chinez, onde sempre ha muita agitação e estrondo. Por isso começou a pensar-se no concerto da antiga cathedral, muito melhor situada, e contigua ao palacio episcopal. Tão reconhecida era a necessidade d´esta mudança, que a curia romana, quando expediu as bullas de confirmação do bispo de Macau, D. Nicolao Rodrigues Pereira de Borja, em 1843, recommendou particularmente este assumpto ao zelo d´aquelle prelado. Este não descurou d´elle, conseguindo, por suas representações, que fosse expedida pela secretaria da marinha e ultramar, em 26 de fevereiro de 1844, uma portaria auctorisando o mesmo prelado para fazer na antiga sé, de accordo com o governador da colonia, os reparos e concertos que se julgasse necessarios.

Cathedral de Macau – Desenho de Nogueira da Silva – Gravura de Flora

Feito o competente exame ao velho edifício, achou-se que não admittia concertos, e resolveu-se a completa reedificação. Promoveu-se subscripção entre os habitantes, que produziu de seis a sete mil patacas (seis a sete contos de reis), e deu-se começo à obra em dezembro de 1844, sob melhor forma e nova orientação. A antiga sé tinha o fronstispício para oeste, e estava como apertada entre as casas proximas e o palacio episcopal, que ficava a um canto, e encoberto em grande parte pela mesma sé. A nova egreja tem a frente para norte, ficando a frontaria do palacio desembaraçada e mais vistosa, como mostra a estampa.”

in "Archivo Pittoresco - Semanario Illustrado“, Vol I, 1857, n.º 35.

sábado, 26 de maio de 2018

Revisitando a edição do jornal "Único": Maio de 1898

Entre os vários conteúdos do jornal Único de 20 de Maio de 1898, editado na celebração do Quarto Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama, está o poema "San Gabriel" de Camilo Pessanha, cujo manuscrito feito pelo punho de Pessanha data de 7 de Maio de 1898 e pode ser visto em baixo neste post num registo da Bilblioteca Nacional de Portugal. O jornal foi impresso na Typographia de N. T. Fernandes e Filhos e Noronha & Cia., em 1898, com um total de 55 páginas, pela Comissão Executiva das Celebrações em Macau do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.
A ideia de fazer este jornal surgiu numa reunião da comissão a 2 de Fevereiro de 1898 ficando encarregues da missão: António Joaquim Bastos, Conselheiro Artur Tamagnini da Mota Barbosa, Dr. José Gomes da Silva, Dr. Horácio Poiares, Capitão Eduardo Cirilo Lourenço, Pedro Nolasco da Silva, João Pereira Vasco, Camilo Pessanha e Wenceslau de Moraes.


No jornal "Echo Macaense" de 21 de Maio de 1898 escreve-se: “Espera-se que será posto à venda hoje, ou amanhã. Contará artigos, poesias, a viagem [de dez meses e onze dias] de Vasco da Gama [escrita por João Pereira Vasco para ser traduzida] em chinês, umas 10 fotografias das principais vistas de Macau, com as respectivas descrições, e, segundo se diz, um artigo em patois Macaense."
Os artigos estiveram a cargo de: conselheiro Galhardo, Bispo de Macau, D. Ana Caldas, conselheiro Tamagnini Barbosa, A. C. Abreu Nunes, comendador António J. Basto, Dr. Camilo Pessanha, António Talone da Costa e Silva, Dr. Horácio Poiares, Wenceslau de Moraes, Dr. José Gomes da Silva, Tenente do estado maior Eduardo Marques, Eduardo C. Lourenço, Mário B. de Lima, Pedro Nolasco da Silva, Abeillard Gomes da Silva, Domingos do Amaral, alferes J. L. Marques e João Pereira Vasco.
 
Algumas das fotografias - da autoria de Carlos Cabral - 
de grande formato incluídas no jornal
Porta do Cerco, Templo de A-Ma (da Barra) e vista da baía da Praia Grande
Na edição do jornal O Independente de 22 de Maio de 1898 numa notícia sobre o "Único" surgem referências às fotos e à capa:
"As fotografias que ornamentam este jornal são: vistas da Praia Grande, do Leal Senado, do Farol da Guia, do Porto Interior, Pagode da Barra, Portas do Cerco, Sé, Gruta de Camões, Avenida Vasco da Gama e uma fotografia do projecto da sua estátua. Todas estas fotografias, que são as melhores que aqui temos visto, foram tiradas pelo distinto amador, Sr. Carlos Cabral. A capa, que é um primor, foi desenhada pelo Sr. Rodrigues Belo, imediato da canhoneira Liberal e a impressão do jornal feita sobre aguarelas."
Destas celebrações fez também parte a emissão de selos alusivos à efeméride. Na imagem um selos com o valor facial de 1 avo e o carimbo da "Direcção do Correio de Macau" com a data 28 de Maio de 1898.

Inútil! Calmaria. Já colheram 
As velas. As bandeiras sossegaram, 
Que tão altas nos topes tremularam,
— Gaivotas que a voar desfaleceram.

Pararam de remar! Emudeceram! 
(Velhos ritmos que as ondas embalaram) 
Que cilada que os ventos nos armaram! 
A que foi que tão longe nos trouxeram?

San Gabriel, arcanjo tutelar, 
Vem outra vez abençoar o mar, 
Vem-nos guiar sobre a planície azul.

Vem-nos levar à conquista final 
Da luz, do Bem, doce clarão irreal. 
Olhai! Parece o Cruzeiro do Sul!




Vem conduzir as naus, as caravelas, 
Outra vez, pela noite, na ardentia, 
Avivada das quilhas. Dir-se-ia 
Irmos arando em um montão de estrelas.

Outra vez vamos! Côncavas as velas,
Cuja brancura, rútila de dia,
O luar dulcifica... Feeria
Do luar não mais deixes de envolvê-las!

Vem guiar-nos, Arcanjo, à nebulosa
Que do além vapora, luminosa,
E à noite lactescendo, onde, quietas,

Fulgem as velhas almas namoradas...
— Almas tristes, severas, resignadas, 
De guerreiros, de santos, de poetas.

Camilo Pessanha, Macau, 7 de Maio de 1898



sexta-feira, 25 de maio de 2018

"Banco de Macau e China": 1867

Publicado no Boletim do Governo
A 21 de janeiro de 1867 o governador faz publicar um "annuncio" no Boletim do Governo - imagem acima - onde convoca todos os cidadãos portugueses e chinas que queriam fazer parte da assembleia constitutiva "do futuro banco de Macau com o fim de se discutirem os estatutos". Esses mesmo estatutos seriam publicados a 28 de Janeiro de 1867 - imagem abaixo - sob o nome de Banco de Macau e China.
Recorde-se que o Banco Nacional Ultramarino tinha sido criado em Portugal, poucos anos antes, em 1864. Segundo a Carta de Lei de 1864 o BNU estava obrigado ao estabelecimento de sucursais e agências nas principais praças em Portugal e no ultramar,  com excepção de Macau. No seguimento de novo contrato assinado entre o BNU e o Estado português, na revisão que foi a Lei de 26 de Janeiro de 1876, o BNU chegaria a Macau em 1902.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Turismo de Macau na 88ª edição da Feira do Livro de Lisboa

De 25 de Maio a 13 de Junho, o Parque Eduardo VII volta receber mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa com o Turismo de Macau, através da sua livraria, a marcar mais uma vez presença.
Durante os sete dias da 88ª edição da Feira do Livro de Lisboa, a Livraria do Turismo de Macau - stand C13 - oferecerá a oportunidade dos visitantes descobrirem e reencontrarem-se com a literatura que se faz em Macau, quer através de autores locais, outros que passaram pelo território ou que sobre ele escreveram, realizando-se várias sessões de autógrafos:

João Botas – 25 e 26 de Maio, às 21h.
Jorge Arrimar – 27 de Maio, às 18h. 
Ernesto Matos – 30 de Maio, às 17h. 
Maria Helena do Carmo – 31 de Maio, às 17h.
Graça Abreu – 31 de Maio, às 18h.
Fernando Sobral – 2 de Junho, às 18h.
Ernesto Matos e António Correia – 3 de Junho, às 20h.
No dia 3 de Junho, entre as 18 e as 19 horas, o stand da Livraria do Turismo de Macau transforma-se em estúdio de emissão da Rádio Renascença, com entrevistas em directo. No mesmo dia, a partir das 19 horas realiza-se um show cooking de gastronomia macaense.
Horários da Feira do Livro:
2.ª a 5.ª feira das 12h30 às 22h; domingos e feriados das 11h às 22h, 6.ª feiras das 12h30 às 00h; sábados das 11h às 00h.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Júlio Pomar: 1926-2018

Júlio Pomar, um dos nomes maiores da pintura moderna portuguesa, nasceu em Lisboa, em 1926. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e as Escolas de Belas-Artes de Lisboa (1942/44) e do Porto (1944/46), a qual abandonou depois de uma suspensão disciplinar por actividades estudantis. Expôs pela primeira vez em 1942, em Lisboa, numa mostra de grupo no seu atelier. A partir de 1946 fez parte da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD), actividade pela qual foi detido no ano seguinte e condenado em tribunal. Em 1947 realizou a primeira exposição individual no Porto. Em 1949, por ocasião da participação na candidatura presidencial de Norton de Matos, de quem desenhou um retrato muito divulgado, foi afastado do lugar de professor de desenho no ensino técnico. Instalou-se em Paris em 1963. 
Considerado um dos artistas mais conceituados do século XX português, Pomar deixou uma obra marcada por várias estéticas - que vão do neorrealismo ao expressionismo, passando pelo abstracionismo - e uma profusão de temáticas abordadas. Dedicou-se especialmente à pintura, mas realizou também trabalhos de desenho, gravura, escultura e «assemblage», ilustração, cerâmica e vidro, tapeçaria, cenografia para teatro e decoração mural em azulejos.
Em 2004 foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Ordem da Liberdade. Quase dez anos depois, abriu o Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, perto da residência do artista, com um acervo de cerca de 400 obras. Morreu esta terça-feira, 22 de Maio de 2018, aos 92 anos.

Obras de Júlio Pomar estiveram em Macau em pelo menos duas ocasiões: 1989 e 2015.


Nas imagens, o catálogo ilustrado e edição bilingue em português e chinês, referente à exposição de pintura de Júlio Pomar - que chegou a visitar Macau - realizado em Setembro/Outubro de 1989 na Galeria do Leal Senado. 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Expo'98 foi há 20 anos

Na véspera de 22 de Maio de 1998, dia da abertura da exposição, ainda se ultimavam os detalhes, mas nesse dia era inaugurada a Expo'98. Seguiram-se 132 dias e 11 milhões de visitantes. O bilhete de um dia para um adulto custava 5 mil escudos. Criança e idoso pagavam metade. O encerramento ocorreu na madrugada do dia 1 de Outubro de 1998, com a maior enchente de sempre e um fogo de artifício épico.
A 24 de Janeiro de 1998 o JTM noticiava: «O governador de Macau mostrou-se “impressionado” pela “ambição” da Expo-98 e prometeu uma “boa campanha” de promoção do Território na última exposição internacional em que participa antes da transição da administração para a China. Rocha Vieira visitou o recinto da exposição durante mais de uma hora, designadamente o local onde ficará o pavilhão de Macau, na área das organizações nacionais, com o seu jardim chinês. O Governador garantiu à Lusa que o governo do Território foi o único responsável pelo conteúdo do pavilhão, não tendo havido qualquer interferência das autoridades chinesas. 
“A Expo-98 é uma oportunidade única para mostrar Macau aos portugueses e ao mundo, para mostrar a riqueza e a singularidade do Território. Os portugueses podem e devem ter orgulho do que fizeram em Macau”. Infelizmente Macau nem sempre é conhecido pelos melhores motivos, mas há imensos bons motivos porque Macau deve ser conhecido”, comentou. Além do pavilhão com o seu jardim chinês, Macau tem também um restaurante e trará a Lisboa, no Dia de Macau, a famosa Dança do Dragão com “alguns 400 homens”.»

1. Pavilhão de Portugal
2. Praça Cerimonial
3. Pavilhão do Conhecimento dos Mares
4. Pavilhão do Futuro
5. Jardins da Água / Parque Vitalis
6. Pavilhão dos Oceanos
7. Centro de Comunicação Social
8. Pavilhão da Utopia (Multiusos)
9. Área Internacional Norte
10. Área Internacional Sul
11. Área das Organizações Internacionais
12. Área das Organizações Nacionais
13. Pavilhão de Macau
14. Porta do Mar
15. Porta do Norte
16. Porta do Sol
17. Estação do Oriente
18. Área Central de Serviços
19. Porta VIP
20. Porta do Tejo
21. Estacionamento
22. Doca dos Olivais
23. Praça Sony
24. Anfiteatro da Doca
25. Jardins Garcia da Orta
26. Torre Vasco da Gama
27. Restaurantes, Comércio e Serviços
28. Teatro Camões / Sala Júlio Verne
29. Pavilhão da Portugal Telecom / Viagem à Oceânia
30. Restaurantes Flutuantes
31. Exibição Náutica
32. Porta de Serviço
33. Edifício de Apoio à exibição Náutica
34. Pavilhão Swatch
35. Pavilhão da Água / Unicer 


O Dia de Macau na Expo'98 foi celebrado a 19 de Junho com um Concerto da Orquestra Chinesa de Macau, Pedro Caldeira Cabral e Rui Veloso no auditório Promenade e um jantar.




Um lai-si com uma moeda de uma pataca (emissão de 1998) foi a oferta aos visitantes do pavilhão. Outra das 'marcas' da representação macaense foi a Lorcha "Macau".


A recriação da fachada da Igreja da Madre de Deus - uma réplica de 18 metros de altura - vulgo Ruínas de S. Paulo, foi a imagem de marca do Pavilhão de Macau na Expo'98 que ocupou uma área de 2 mil metros quadrados e incluiu ainda um restaurante.
No espaço central do pavilhão havia uma réplica de um jardim chinês. No final da visita era exibido um filme em ecrã panorâmico sobre Macau. Durante o genérico final, uma maqueta da skyline de Macau surgia de um aquário colocado à frente do ecrã.
Mesmo depois do fim da Expo'98, o Pavilhão de Macau continuou a operar durante vários meses após a reabertura do recinto em Novembro desse ano com a designação Parque das Nações. 

Posteriormente foi desmantelado, tendo a sua estrutura e respectiva fachada sido reconstruídas no Parque da Cidade, em Loures.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Autores do projecto do Hospital Militar de S. Januário

Hospital Militar de S. Januário: projecto de 1873 do Capitão de Engenharia Henrique Augusto Dias de Carvalho (1843-1909)  e do 2º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (1837-1885)

Na edição do Boletim do Governo de 10 de Janeiro de 1874 fica-se a saber como foi a inauguração, alguns dias antes:«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração. A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes(…).
Este edifício seria demolido por volta de 1952 para dar lugar a um outro hospital como mesmo nome inaugurado em 1958 e por sua vez, já no final da déada de 1980, também este seria demolido para dar lugar ao actual. Pela localização, numa colina, é conhecido em chinês, por Hospital do Monte. No ano da inauguração, 1874, viria a sofrer avultados estragos por via do tufão que assolou Macau em Setembro desse ano.
A primeira e a segunda 'versão' do hospital: foto da década de 1950
Henrique Augusto Dias de Carvalho frequentou o Colégio Militar. Em 1871, era então tenente, exerceu o cargo de Condutor das Obras Públicas em Macau. Destacou-se pela viagem realizada à região angolana da Lunda fazendo uma ampla divulgação da geografia da região e da cultura dos povos que a habitam. Em 1923, a atual capital da Lunda, Saurimo, era denominada Vila Henrique de Carvalho.

​António Alexandrino de Melo era filho de Alexandrino António de Melo, 1.º barão e visconde do Cercal (1809-1877). ​Nasceu em Macau, a 7 de Junho de 1837 e morreu em S. Lourenço a 27 de Maio de 1885. 2.º Conde de Cercal, filho de Alexandrino António de Melo, (1809-1877) e de Carlota Josefa Botelho (1819​-​1892), Viscondes de Cercal. Aos 7 anos foi estudar para o colégio jesuíta «Stonyhurst» no condado de Essex, Inglaterra, formando-se em engenharia civil. Aos 17 anos complet​ou​ os estudos em França​ e dois anos depois, em Roma, estudou pintura em aguarela e a óleo, em Roma, ​cidade onde viveu dois anos. Falava correctamente várias línguas: português, francês, espanhol, inglês, italiano e chinês.​Teve oito filhos no primeiro casamento (Com Guilhermina Pamela Gonzaga em 1841) e mais um posteriormente.
A 5 de Janeiro de 1862, por sua iniciativa foi inaugurada uma escola com o nome de “Nova Escola Macaense”. Encerrou a actividade a 21 de Outubro de 1867. Com o fim da escola, o capital remanescente dos fundos reunidos para criar a “Nova Escola Macaense” - 9.417,53 patacas - foi entregue por Alexandrino António de Melo (1837-1885) à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) para a fundação de um colégio para instrução dos macaenses, que primeiro se denominou "Collegio Comercial" e mais tarde passaria a chamar-se “
Escola Comercial”.
​E​m Macau ​exerceu vários cargos:
Vogal do Conselho de Governo; do Conselho Técnico das Obras Públicas; Director das Obras Públicas; Comandante do Batalhão Nacional, no posto de tenente-coronel (no tempo em que o Barão comandou o Batalhão, chegou este a ter um efectivo superior a 400 homens, gastando com ele o dito comandante, uma grossa quantia do seu bolso para o equipar devidamente​, escreveu o Padre Manuel Teixeira​); Provedor da Santa Casa da Misericórdia; Juiz substituto da Comarca; etc.
​Foi ainda Cônsul do Brasil, Itália, Bélgica e Vice-Cônsul da França.
Como engenheiro delineou ​vários​ edifícios​: Palácio do Governo, Palacete de Santa Sancha, Hospital Militar S​.​ Januário (demolido), Cemitério de S. Miguel, Capitania dos Porto​s​/Quartel dos Mouros, ​Grémio/​Clube Militar​, entre outros.​
​Foi dono da empresa ​"​A. A. de Mello & C.​a, proprietári​a​ de 5 navios que faziam ligações ​entre​ Portugal, Brasil e Austrália. Foi um dos mais ricos comerciantes de Macau mas sofreu duro revés com a instalação dos ingleses em Hong Kong, pelo que devido à má situação financeira, vendeu as casas dos seus pais, o Palácio da Praia Grande e o Palacete de Santa Sancha.​
Alguns dos títulos honoríficos:
Barão do Cercal a partir de 1865 ou 1868; Fidalgo Cavaleiro da Casa Real; Comendador da Ordem de Cristo; Cavaleiro do Santo Sepulcro de Jerusalém; Comendador da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa; Cavaleiro da Ordem da Bélgica; Cavaleiro da Legião de Honra de França; Cavaleiro de S. Maurício e S. Lázaro de Itália; Comendador de 1.ª classe do Sol Nascente do Japão e da Indochina; Medalha de Isabel, a Católica, de Espanha. Era sócio Honorário da Real Sociedade de Geografia Inglesa e outras sociedades científicas estrangeiras.

domingo, 20 de maio de 2018

A Marinha e Vasco da Gama


O Dia da Marinha Portuguesa celebra-se nesta data em homenagem a Vasco da Gama, o navegador português que a 20 de Maio de 1498 chegou à Índia, ligando a Europa e o médio Oriente pelo mar pela primeira vez.
Curiosamente, em Macau o Dia da Marinha celebrava-se a 8 de Julho, dia da partida da armada de Vasco da Gama em 1497.
A Av. Vasco da Gama - em Macau - foi inaugurada a 20 de Maio de 1898. tinha 500 metros de comprimento e 65 de largura e foi projectada pelo engenheiro Augusto César d´Abreu Nunes.
Nesse mesmo ano - celebração do IV Centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia (ver acima selo alusivo à efeméride emitido para Macau) - deveria ter ficado pronta uma estátua/busto de homenagem ao navegador português, mas às 5 da tarde desse dia, fez-se apenas a "colocação da pedra fundamental" para a estátua que só viria a ser inaugurado já depois da queda da monarquia, a 31 de Janeiro de 1911. As obras iniciaram-se em 1907 e o escultor foi Tomás de Costa.

sábado, 19 de maio de 2018

"Biscoutinhos adocicados" na Paderia Nacional

Anúncio publicado no Boletim do Governo (1867)
"Para venda biscoutinhos adocicados a 15 avos ou 140 sapecas por cate. Biscoutinhos salobres a 12,5 avos ou 120 sapecas por cate. Além dos pães segundo o aviso de 1 de agosto de 1865."
A Paderia Nacional fica no nº 2 do Beco do Senado (ao lado do edifício do Leal Senado).

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Apontamentos d'uma viagem de Lisboa á China e da China a Lisboa

Quem quiser saber como era Macau em meados do século 19 e não se contentar com as descrições breves e superficiais dos relatos de viajantes da época, tem de ler "Apontamentos d'uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa" da autoria de Carlos José Caldeira (1811-1882) que na introdução ao livro editado em 1852 e 1853 (em 2 volumes*) escreve:
"Ainda que é muito pouco comum entre nós Portuguezes o gosto de viajar eu desde a minha mocidade nutri o desejo de ver o mundo de sahir da minha pátria é do estreito circulo da cidade e do paiz em que nasci. Tarde porém poude realisar o pensamento constante da minha vida. Contando 40 anos parti de Lisboa em Julho de 1850 na carreira para a China dos vapores inglezes da Companhia Oriental e Peninsular e em 50 dias cheguei a Macao tendo visitado Cadiz e Gibraltar atravessado ò Mediterrâneo visto Malta e Alexandria subido o Nilo através sado o deserto do Egypto embarcado em Suez e descido pelo Mar Vermelho tocado em Adem na Arábia e em Ceylão navegado pelo estreito de Malaca visto Pinão o Singapura e finalmente aportado a Hong kong e retrocedido para Macao. Nesta cidade me demorei 16 mezes durante os quaes visitei seus arredores a cidade chineza de Cantão e vários portos da costa dá China até Shangai na distância de umas 300 legoas para o norte de Macao. Daqui regressei para o Reino na corveta D João I no fim do anno de 1851 e voltei por Singapura ô estreito de Malaca desembarquei na cidade deste nome tão celebre na historia da Asia portugueza revi as costas da Taprobana naveguei ao longo das do Malabar visitei Goa segui para Moçambique dobrei o Cabo da Boa Esperança aportei a Benguella e a Loanda no reino d Angolla vi no archipelago dos Açores o Fayal e S. Miguel e particularmente nesta ultima ilha examinei varias das muitas cousas curiosas que contém e finalmente em 18 de Agosto de 1852 terminei esta longa e variada viagem revendo a minha bella pátria e cidade natal ao cabo de dois anos. Resolvo-me a publicar os Apontamentos desta Viagem por me parecer que serei nisso util a alguns dos meus concidadãos que desejarem saber das circumstancias della e ter algum conhecimento do estado actual dos logares que percorri teem por titulo Apontamentos d'uma Viagem de Usboa á China e da China a Lisboa.
Deter me hei particularmente sobre as nossas Possessões ainda tão importantes e sobre as quaes idéas bem inexactas e mesmo absurdas correm entre muita gente. Fallarei das cousas e das pessoas que são tudo no Ultramar onde em grande parte as instituições e leis pouco ou nenhum vigor tem onde quasi tudo é arbítrio onde o espirito da maldade e da rapina muitas vezes campêa impune dependendo geralmente do bom ou máo caracter das authoridades e pessoas influentes o bem estar ou a desgraça dos povos. Direi a verdade tal qual a entendo e por ella arrostarei ódios e malquerenças."
Lisboa 24 de Agosto de 1852 é a data em que
Carlos José Caldeira escreve estas linhas depois de dois anos de viagem pelo mundo. Desse tempo, 16 meses foram passados em Macau e para tão longa estadia muito deve ter contado o facto de ele ser primo de D. Jerónimo José da Mata, Bispo de Macau de 1845 a 1862.
Nesta obra relata tudo com bastante pormenor. Na época, Hong Kong acabara de ser 'criado' por via da derrota chinesa face aos ingleses na segunda guerra do ópio e a vida económica do território macaense começava a definhar...
Veja-se por exemplo, o testemunho sobre o 'funeral' do governador Ferreira do Amaral (assassinado em Agosto de 1849):
(...) Abriu-se o féretro, porque dele correra algum líquido, o que dera muito que falar e temer aos supersticiosos chinas. Limpou-se o crânio e os ossos dos restos de cartilagens: eu tive nas mãos esse crânio nu, e dos golpes da barbaridade e da traição lhe vi os vestígios indeléveis, como o deveriam sempre ser em ânimos portugueses!
No dia 2 de Janeiro de 1851, às cinco horas da tarde, foi o ataúde conduzido aos ombros de seis marinheiros, e às pontas do pano mortuário que o cobria, pegaram o encarregado de Negócios de França na China, o cônsul dos Estados Unidos da América, e quatro funcionários superiores do Estabelecimento. Procedia o ataúde um destacamento do batalhão naval e outro da marinhagem das guarnições dos navios de guerra surtos no porto, e compunham o préstito fúnebre o Corpo Municipal, com o seu pendão em funeral, as autoridades civis e militares, a oficialidade da marinha e do batalhão provisório, o corpo diplomáticos e consular aqui residente, seus funcionários, numeroso séquito dos moradores de Macau e de portugueses e estrangeiros. Fechava este respeitável e pomposo acompanhamento o batalhão de linha, com o seu tenente-coronel comandante à frente.  À porta da igreja de S. Francisco achava-se o presidente do Conselho, o bispo diocesano, rodeado de todo o seu clero, e acompanhando os restos mortais à destinada capela, ali lhes foi cantado o competente Memento."

E ainda o relato sobre a tomada de posse do governador Francisco António Gonçalves Cardoso em Fevereiro de 1851 para
suceder ao Conselheiro Capitão-de-Mar-e-Guerra Pedro Alexandrino da Cunha, que falecera em Macau a 6 de julho de 1850, após apenas 37 dias como Governador:
Em todas as fortalezas poucas peças estavam em estado de fazer fogo e não continuado; no já quasi desmoronado forte de Mohá (feito haveria pouco mais de um anno) n´um dos canhões principais, dirigido sobre a Porta do Cerco, no ouvido faziam as lagartixas seu sossegado ninho; as poucas munições estavam fechadas num caixão do qual se perdera a chave havia tempos, etc, etc, etc… Sirva isto só de dar idêa de todas outras misérias. E, no entanto que faziam os governadores de fortalezas, e o major de engenheiros, todos com denominações alti-sonantes, e bons soldos gratificações?. Tratavam das suas hortas, ou passavam vida airada e folgasã… O major de engenheiros, mandado de Portugal pelo Egipto com avultada despesa, recebia mensalmente em Macau 116 patacas»
Sobre os templos chineses, Caldeira escreve:
“Entre as construcções chinezas em Macau só são para notar quatro principais pogodes, um em cada uma das aldeas de Moha e Patane, outro no caminho de Patane para a porta do Cêrco, e o quarto perto da fortaleza da Barra; os dous ultimos são de bonita architecyuira no estylo chinez, e muito bem situados, principalmente o da Barra, que tem differentes nichos ou cappelas em amphitheatro, por entre grandes penedos e frondosas arvores, que o fazem muito pittoresco. Os chinas escolhem com muito tacto e gosto os locaes dos seus pagodes, construindo-os de ordinario por entre penedias e arvoredos, e em sítios romanticos; são muito amadores das arvores, e sendo grandes e bellas as conservam pelo meio dos muros e edifícios, ou affeiçoando estes de modo que não tenham de as derrubar."
Carlos José Caldeira foi ainda responsável pelo Boletim do Governo de Macau durante cerca de um ano.
Numa biografia da época fica-se a saber um pouco mais sobre a vida e obra desde escritor, político e jornalista:




«Carlos José Caldeira, antigo aluno da Academia Real de Marinha cujo curso concluiu com muita distincção obtendo todos os prémios. Frequentou igualmente com aproveitamento e approvação plena os estudos da aula do commercio, etc. Nasceu em 1811, sendo filho do desembargador Jose Vicente Caldeira do Casal Ribeiro. Apontamentos de uma viagem de Lisboa á China, e da China a Lisboa. Tomo I. Lisboa, na Typ. de G. M. Martins 1852. 8.º gr. De 421 pag. - tomo II. Ibi, na Typ. de Castro & Irmão 1853. 8.º gr. De 330 pag., com alguns mappas no mesmo formato, que servem de appendice. Esta obra mereceu a aceitação e acolhimento do publico. Anteriormente, e achando-se ainda na China, o auctor publicara um como specimen ou amostra, com o titulo: apontamentos de uma viagem de Portugal á China atravez do Egypto em 1850, e descripção da gruta de Camões em Macao. Macao: China, Typ. Albion de Ino: Smith 1851. 8.º de 75 pag. Tambem redigiu durante um anno o boletim official de Macao que forma um volume de 181 pag.; e depois da sua volta para este reino tem sido collaborador de varios periodicos litterarios, taes como a Revista Peninsular, Illustração Luso-Brasileira, Archivo Pittoresco, Correio da Europa, etc., nos quaes se acham numerosos artigos seus. Foi editor da terceira e ultima edição da Memoria a Iberia, por D. Sinibaldo Mas, e lhe addicionou varias notas no sentido da mesma memoria. No proprio sentido, isto é, propalando as conveniencias da união iberica, escreveu tambem alguns artigos no jornal político O Progresso.»
No Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990:
"Carlos José Caldeira [Lisboa, 1811 - Lisboa, 1882]
Escritor, político e jornalista. Formou-se pela Academia Real de Marinha e frequentou a Aula do Comércio. Foi um iberista convicto, tendo traduzido, anotado e publicado a terceira e última edição da obra A Ibéria de Sinibaldo de Mas, que produziu à época grande controvérsia e que propagava os ideais da União Ibérica. Dentro do mesmo espírito escreveu alguns artigos no jornal O Progresso. No funcionalismo público chegou a inspector-geral das Alfândegas e foi o primeiro chefe da Repartição de Estatística criada no Ministério das Obras Públicas. Tal facto deveu-se provavelmente aos profundos conhecimentos de economia que demonstrou nos artigos publicados, sob o pseudónimo de Veritas, em vários periódicos, entre os quais: Arquivo Pitoresco, Arquivo Universal, Correio da Europa, Diário de Notícias, Ilustração Luso Brasileira, Jornal do Comércio e Revista Peninsular. Já depois dos 40 anos encetou uma viagem pelos pontos descobertos ou conquistados pelos Portugueses no Mundo, que o levou pelo Mediterrâneo e mar Vermelho até à China, tendo regressado por Moçambique e cabo da Boa Esperança. Deste percurso resultaram diversos trabalhos literários que ilustram o estilo reformador e empreendedor do seu autor. Foi ainda redactor do Boletim Oficial de Macau durante um ano. (...)
*Nota: em 1997 a parte relativa a Macau destes dois volumes foi reeditada sob o título "Macau em 1850: crónica de viagem."

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Manuel da Silva Mendes por Enio Belsito

文第士肖像
Manuel da Silva Mendes 
恩尼奧.貝爾薩托 / Autor / Author - Énio Belsito 澳門藝術博物館藏 / Colecção do Museu de Arte de Macau / Collection of the Macao Museum of Art
"(...) Tímido mas confiante, MSM (viveu em Macau entre 1901 e 1931) é pouco dado a eventos e à exposição pública. Talvez por isso ao longo da sua vida tenham sido registadas poucas fotografias e apenas dois ‘retratos’: um feito a carvão sobre papel, da autoria de um artista chinês (desconhece-se o nome do autor) que segundo LGG chegou a estar exposto na Biblioteca Pública de Macau; e um quadro a óleo, feito pelo pintor italiano Ennio Belsito, que fazia parte do espólio do Museu Luís de Camões. Esta faceta de timidez será compensada na escrita, onde se sente como peixe na água, apresentado um discurso fluido e reflexões plenas de lucidez. (...)
João Botas in Biografia de Manuel da Silva Mendes 1867-1931, co edição autor/ICM, 2017

Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos Quinhones de Portugal da Silveira, numa visita ao Museu Luís de Camões em meados da década de 1950, apreciando peças que eram pertença do sogro, Manuel da Silva Mendes.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Temple that precedes the City



As the drum is struck in rhythm at exactly 12pm, Fernando Ó and several members of the A-Ma Temple Charity Association gather at the inner shrine of Zhengjue Hall. With incense sticks in his hands, Ó solemnly prays to the Taoist goddess Mazu, a ritual he has observed on a daily basis since he became director of the association more than ten years ago.

“A-ma Temple is a villa for Mazu. If we pray to her and call upon her, she will come here more often and give us her blessings,” smiles the 77-year-old, whose family was among the founders of the association in the 1920s.
Ó is not alone in this religious belief. Dating from the early 16th century, before the arrival of the Portuguese, A-Ma Temple, otherwise known as Ma Kok Miu, is the oldest temple in Macao. Each year, it is visited by a large number of worshippers from around the world. Some seek blessings of health and fortune; others pray for the granting of specific wishes such as relationships and children.
But when the belief in Mazu began in the 10th century in Fujian, China, worshippers prayed to the goddess to invoke a specific blessing that concerned their survival.
“Mazu was originally a mortal woman called Lin Mo. She was born on Meizhou Island, close to the shore of Fujian. During her lifetime, she used her spiritual power and weather forecasting ability to save the lives of many fishermen from the menace of typhoons,” Ó explains. “The local people respected her enormously and after she died at the age of 28, she was remembered as Mazu (mother-ancester) or Tian Hou (the queen of heaven).”
The first temple dedicated to Mazu was built on the island in 987BC, where she was revered as a powerful and benevolent goddess that roamed the seas to protect sailors and fishermen. Centuries later, the worship of Mazu spread to a small fishing village nestled on the southern coast of China, which would later become one of the most prosperous cities in the world.
According to Annals of Macao, the first chorography about Macao, finished during Qianglong’s Reign of the Qing Dynasty, legend has it that during the period of Mingli’s Reign (1573 to 1620) a big ship of a Fujianese merchant encountered a monstrous storm and lost its way. Panicked, the sailors and passengers prayed to Mazu for help. Soon, the glowing goddess was seen standing on a hillside amidst the huge waves, guiding them the way to safety.
In gratitude of Mazu’s miraculous intervention, a temple dedicated to Mazu was built at the spot where she appeared. This is believed to be where the history of A-Ma Temple began, and attests to the popular saying that “A-Ma Temple existed before Macao”.
“It was a time when Macao was just a fishing village, and Barra Square (in front of A-Ma Temple) was just a sea of water,” says Dr. Sharif Shams Imon, the Academic Coordinator for Heritage Management and Tourism Management programmes at the Institute for Tourism Studies. “Because people’s livelihoods had such a big connection with the ocean, Mazu, as a goddess of the sea, quickly gained popularity among the local community. Fishermen would visit the temple to ask for Mazu’s blessing and protection, before they set out to brave the seas in search of fish,” he adds.
A-Ma Temple might well have witnessed the beginning of Sino-Portuguese exchanges. When the Portuguese landed near the temple in the 16th Century, they asked the locals the name of the land, but the locals answered “Ma Kok” (the Chinese name of A-Ma Temple), thinking that they were asking for the name of the temple. That’s where the name “Macao” is believed to have derived from.
Over the next few centuries, Macao’s cityscape evolved dramatically. Skyscrapers redefined the city’s skyline, and land reclamation expanded its territory. But A-Ma Temple continues to thrive.
“The Taoists often say it is rare for a temple to prosper for more than three centuries; if it does, that means it has a great spiritual influence, and is efficacious in granting wishes. That’s why people keep coming to seek its blessings,” says Ó.
With a growing number of worshippers and devotees, the temple gradually expanded into a religious complex consisting of four main halls: Hongren Hall, Zhansuo Hall, Zhengjue Hall and Kun Iam Hall. Connected by a spiral staircase winding up the hillside, they form a series of Chinese architectural wonders.
The temple also absorbed elements of Buddhism and Confucianism, Dr. Imon says, making it a representation of Macao’s complex mix of religious influences. Bodhisattva Wei Tuo, Dicangwang and Kun Iam are worshipped in Zhengjue Hall and Kun Iam Hall. Stone inscriptions that imply a Confucius origin are found in different corners of the temple.
Being home to a great wealth of religious and architectural heritage, A-Ma Temple remains highly susceptible to natural or human-caused events such as storms and fire. For the A-Ma Temple Charity Association, which is responsible for the overall management of the temple, the task of preserving the historic landmark is a challenging one.
“A lot of money has been spent on this aspect,” Ó admits. “We have to retain the originality by using the same materials that were used hundreds of years ago, such as bricks and paints.”
As A-Ma Temple is an important component of Macao’s historic centre, renovations that take place inside the temple come under the direct supervision of the Cultural Affairs Bureau. Meanwhile, to keep the Mazu belief alive in Macao, during Mazu’s birthday, which takes place on the 23rd day of the 3rd month of the lunar calendar, celebration parades and lion dances, charity activities such as blessing rituals and rice distribution are organized at the temple by various local associations, including the A-Ma Temple Charity Association. Chinese operas are performed in a purpose-built bamboo hall in the area in front of the temple, not only to reward the mercy of Mazu, but also to entertain the public.
As an incredible treasure trove of history and culture, A-Ma Temple surely has lots of surprises for curious visitors. But when asked what is the must-see part of the temple for first time visitors, Ó’s reply is perhaps what you would expect from a Taoist devotee.
“Everybody comes here with a different purpose, from admiring the architecture and inscriptions, through to seeking blessings from the deities or an old tree,” he says while pointing at a wishing tree in front of Zhengjue Hall, with small prayer charms suspended from its surrounding red frame. “Just pay a visit. Fate will lead the way.”
Keeping the goddess happy, and thus the people. When it comes to the celebration of Mazu, the A-Ma Temple becomes a blissful venue that brings the goddess and the people together.
Chinese New Year
During the Chinese New Year’s Eve, a large number of worshippers visit A-Ma Temple to offer prayers, hoping to be blessed by the goddess in the year to come. The drumming and bell-ringing ceremony is held in the temple to pray for Macao’s prosperity.
On the fourth day of Chinese New Year, local fishermen sail their boats to the entrance of the Inner Harbor, in front of A-Ma Temple. With the boats’ bows facing the temple, they hold a paddling ceremony to honour Mazu.
Mazu's Birthday
During Mazu’s birthday, which takes place on the 23rd day of the 3rd month of the lunar calendar, rituals are held at the temple for worshippers to pray for blessings and offer sacrifices. Fishermen sail their boats to A-Ma Temple to show their respect to Mazu. The celebration extends to Barra Square in the afternoon as worshippers gather there for a festive feast, followed by a Chinese opera performed in a bamboo hall nearby.
Anniversary of Mazu Ascending into Heaven
Chung Yeung Festival also marks the anniversary of Mazu ascending into heaven. In celebration of this important event, the parade of worship with Mazu starts at the front of A-Ma Temple to pray for harmony and prosperity in Macao.
Text and photos In Macao Closer, Mar/Apr. 2018